Publicado por: Felipe Sodré | fevereiro 18, 2009

Não compila

– Não tá compilando.

– Ahn? O quê?

– Esse código aqui, não tá compilando.

– Pô, aqui compilou normal.

E foi assim que começou o tormento na vida do Renzo. Um código que ele baixou pra usar no trabalho não estava compilando. Compilava em todas as máquinas dos colegas, mas não na dele. Atualizou a versão, revisou makefile… nada.

– Usa meu binário então Renzo.

Problema resolvido, e o Renzo voltou pra casa. “Dia ruim”, foi pensando. Qual programador, analista ou engenheiro experiente nunca passou por um problema desses, onde nada parece estar errado, mas mesmo assim nada funciona? Renzo já tinha décadas de experiência naquele projeto, estava acostumado. Então foi só um “Dia ruim”.

Um filme bem hollywoodiano de comédia, um saco de Ruffles e uma garrafa de guaraná, mistura perfeita pra relaxar e dormir. Com o calor daquela noite, a porta de vidro da sacada dormiu aberta e a brisa pôde entrar calmamente na sala onde ele adormeceu. Tudo perfeito, não havia mais lembranças de um dia ruim.

Oito horas. O despertador é irritante, a melhor opção é acordar e tentar ter um dia “não-ruim”. Naquele dia, o trânsito colaborou, e em uma hora e dez minutos lá estava Renzo, na portaria da empresa. Dois minutos depois, o dia fica ruim denovo:

– O build quebrou – avisa o estagiário que havia entrado três semanas antes.

– Qual foi o erro? – perguntou

– Parece que foi algum commit que você fez – completou

Estranho, Renzo não havia feito nenhuma submissão de código já havia mais de dois meses, desde que se tornou coordenador.

Ao olhar o log, Renzo percebeu que seu último código submetido não fora compilado. Não havia mensagem de erro, nem indicação de linha, nada. Apenas a mensagem: “CustomParser.tor – Compile Error”. O Parser escrito por ele havia sido compilado, testado, usado e estava estável desde que foi submetido.

– Trocaram o compilador hoje? – Perguntou Renzo

– Não, não mudamos nada…

– Bom, então vou dar uma olh…

Nesse momento, a conversa é interrompida quando todos do setor se juntam em volta da máquina de Ricardo.

– O que aconteceu agora ? – indaga Renzo

– Todos os projetos estão quebrando do nada!

– O que diz nos logs?

– Não diz nada de útil, dá uma olhada

A cabeça de Renzo começou a ficar quente, ao perceber que todos os códigos que quebraram foram escritos por ele. Ao voltar para sua máquina, tratou de baixar os arquivos e tentar testa-los em sua máquina para descobrir que tipo de erro estava ocorrendo.

– Renzo, eu resubmeti o Parser e o build dele voltou a funcionar  – avisou Bruno

– Ótimo… qual era o problema ?

– Bem… na verdade eu resubmeti acidentalmente. Não mudei nada. Apenas copiei pra outra pasta pra testar localmente e acabei submetendo essa cópia.

– Bem, faça o mesmo pros outros builds então!

E deu certo. Os builds voltaram a funcionar, sem que nenhuma modificação fosse feita nos arquivos, exceto “quem” os submeteu. Problema resolvido, mas Renzo estava perplexo. Todos os códigos que falharam, eram dele. Incompetência? Renzo era um programador Tormenta certificado e experiente. Passou a duvidar de si.

ESCREVA ‘Olá, Mundo’

#tormenta olamundo.tor
olamundo.tor – Compilation Error

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Publicado por: Felipe Sodré | fevereiro 14, 2009

Renascendo das cinzas

Olá.

Faz tempo, um bom tempo que não posto aqui. A última vez que tentei postar estava no aeroporto de Miami voltando pro Brasil. Escrevi um post enorme, a conexão deu pau, perdi o post e desanimei de postar denovo. Mas algumas pessoas me incentivaram a continuar, então lá vamos nós.

Pra resumir o que aconteceu desde então, voltei pra São Paulo, e agora estou trabalhando no UOL como Analista de Sistemas Trainee (eu nunca entendi essas nomeclaturas, pois estou fazendo exatamente a mesma coisa que fazia quando era Engenheiro de Software. Enfim…). Eles não me contrataram como Junior porque eu só vou trabalhar 3 dias por semana até Junho/Julho, pois terei aulas de terça e quinta-feira. Enquanto as aulas não começam, eu tento fazer uns 4 dias por semana pra fazer banco de horas e usá-las em época de provas.

O UOL é uma empresa bem bacana de se trabalhar, é bem parecido com o Google até. Lá também o pessoal vai trabalhar à vontade (com relação à roupa), tem o horário bem flexível (é mais controlado que no Google, pois no Google não tinha controle nenhum, mas ainda assim é bem flexível), investem bastante na capacitação (uma das coisas que mais me atraiu lá é que parece que eles ajudam quem faz pós-graduação, flexibilizando horários e as vezes até custeando viagens de congressos e etc), além disso o prédio deles é relativamente perto da USP, onde eu pretendo tentar um mestrado. Ah, lá também tenho 2 monitores :). Não tão grandes como no Google, mas são dois. E com relação a salário parece que pagam bem (praticamente todo mundo lá tem iPhone), mas como eu estou trabalhando de trainee, e ainda por cima 3 dias por semana, não dá pra falar muito por experiência própria, mas mesmo o que eu ganho agora não é ruim. O clima lá dentro é bem bacana e descontraído também. Se eu conseguir ficar lá depois do período de trainee será bem bacana.

Fora isso, ainda estou fazendo o projeto de educação à distância pra Unicamp, mas meu tempo está complicado. Até porque comecei a levar a academia mais a sério a partir do mês passado, e também estou fazendo boxe. Mas de grão em grão o projeto eventualmente acabará ficando pronto 🙂

A partir de Março a coisa ficará mais tensa ainda. Por ter aula só de terça e quinta e trabalhar em São Paulo no resto da semana, não vou morar em Campinas nesse semestre. Terei que ir e voltar dois dias por semana, parece que vai ser bem cansativo. Estou até pensando em ir e voltar de ônibus na quinta, pois as aulas terminam cedo nesse dia, aí posso ir dormindo pelo menos, hehe.

Fora isso, estou semeando um novo projeto de ir fazer um curso de English for Business no ano que vem (ou em 2011) com a Marcela, em algum lugar tipo Canadá ou Irlanda, mas por pouco tempo (até porque seria nas férias do trabalho). OBVIAMENTE, o curso é só uma desculpa :). Ou seja, mais motivos pra economizar grana. Vai uma boa grana nessas coisas, eu sei, mas vale muito a pena se sacrificar um pouco pra isso, acreditem 😉

Eu não pretendo mais postar coisas do tipo: “Hoje eu acordei, fiz xixi, aí deu vontade de fazer cocô mas não tinha papel. Fui ao supermercado e usei o banheiro deles”. Esse provavelmente foi o último. Pretendo postar coisas ad-hoc, as vezes sobre programação, as vezes sobre bobeiras que eu penso, as vezes comentando noticías bizarras (ultimamente é só isso que sai nas notícias), etc.

Quem realmente quiser continuar sabendo o que eu faço ou deixo de fazer, fale comigo no Gtalk. Mas vai por mim, vocês não querem.

Publicado por: Felipe Sodré | outubro 12, 2008

Morto não, apenas se fazendo de difícil

O blog não morreu. Eu apenas estava (e ainda estou) extremamente ocupado com uma porrada de coisas.

Faltam 3 semanas pra entregar meu projeto no Google, e ainda estou na fase de descobrir exatamente o que é pra fazer (meus coordenadores também não têm muita certeza, hahaha), mas as coisas tão convergindo para um possível sucesso 🙂

Além disso, estou fazendo um projeto que é uma plataforma de ensino à distância especializado no aprendizado de programação. Estou fazendo isso como projeto para a única matéria que estou fazendo na Unicamp (Estudo Dirigido), mas certamente o projeto continua se prolongando depois que terminar a matéria, é algo bem interessante e um ótimo trabalho voluntário.

Além disso, estamos fazendo os preparativos finais pra final brasileira da Maratona de Programação, que será realizada dia 15 de Novembro, em Vila Velha-ES.

Dadas as chamadas, vamos às notícias.

Menos de um mês

Meu vôo de volta para o Brasil sai aqui de São Francisco às 6 da manhã (!) do dia 7 de Novembro, e devo chegar em Guarulhos às 8 da manhã do dia 8 de Novembro. Não é que o vôo dura mais de 24 horas. Vou ter que fazer uma conexão em Miami de 6 horas (!!), e de lá vou pro Brasil. Como diria o Coringa: “Quer pagar taxa de estudante paga, mas depois aguenta as consequênciasssss…”. 🙂

Assim, tenho praticamente 3 semanas pra terminar a coisa toda, pois terei ainda que fazer toda a documentação do que eu fiz e etc. No estágio atual das coisas, eu diria que é possível, mas talvez esse seja meu último fim de semana sem ir pro Google.

Maratona de Programação

No dia 20 de Setembro aconteceu a fase sub-regional da Maratona de Programação, em Campinas. Nosso time não foi nada mal e ficamos em primeiro lugar 🙂

Ah, sim, eu tirei uma semana de folga do Google e voltei pro Brasil pra competir. Claro que além disso serviu pra matar um pouco da saudade de todo mundo.

Só pra constar, em segundo e terceiro ficaram times da Unicamp também, mas devido à regra de que na final nacional só podem ir dois times por escola, só vão dois times da Unicamp, e também um time da USP, que ficou em quarto.

Agora é correr pra terminar de preparar o material de apoio pra final, que será dia 15 de Novembro, em Vila Velha-ES.

Tênis de Mesa

Já faz um bom tempo atrás que encontrei uma galera (composta principalmente por chineses) que joga tênis de mesa do bom aqui no Google. Claro que me juntei à tchurma, e de vez em quando tiramos umas partidas bem bacanas. Aproveitei e trouxe minha raquete pra cá, pra relemembrar os felizes anos que eu treinava esse esporte de 3 a 4 vezes por semana. Quase certo que vou voltar pra algum clube de TT quando terminar a faculdade. Me ajudou bastante a aliviar o stress por aqui quando eu precisei 🙂

E bom, vocês sabem que Tênis de Mesa na China é que nem futebol no Brasil. Mas mesmo assim consigo jogar de igual pra igual (ganho as vezes, perco de vez em quando também). Nada além da obrigação de quem já treinou tanto isso.

Livros

Gastei… ehm… bastante comprando livros (a maioria eu já levei pro Brasil). Eu em loja de livros pareço mulher em loja de roupas em liquidação 🙂

Alguns livros de referências, outros de tecnologias que quero (ou preciso) aprender, e alguns até sobre o tema no qual pretendo trabalhar num futuro mestrado (programação genética), bem caros, por sinal.

Valeu a pena vir pra cá ?

Muitos amigos me perguntam se é legal, se vale a pena. Bom, legal é, mas é preciso deixar algumas coisas claras.

Existe um mito de que chegando aqui você vai trabalhar somente com hackers que só fazem coisas legais do jeito mais legal (não usando Java, por exemplo, hehehe), e que a cada 5 minutos as pessoas têm um estalo de uma nova idéia e revoluciona o mundo. Bom, a realidade é que os problemas encontrados quando você tá trabalhando aqui não são muito diferentes dos problemas que você encontra quando está trabalhando em outra empresa grande. Mesmo com as equipes aqui sendo pequenas (exitem equipes até de duas ou uma pessoa), na grande maioria das vezes o seu projeto usa ou está integrado com tecnologias desenvolvidas por outras equipes, então muitas reuniões são necessárias pra poder fazer uma integração correta. Ainda nesse ponto, muito do tempo gasto trabalhando é exatamente pesquisando como usar as tecnologias já existentes dentro do Google no seu projeto (isso é o que eu tenho feito desde que eu cheguei). Muitas vezes você encontra vários projetos que fazem aparentemente a mesma coisa, e é necessário uma análise mais detalhada pra saber qual é exatamente a diferença entre eles.

As idéias de produtos aqui dentro são, de fato, extremamente inovadoras. Mas o método de produção é relativamente padrão. Mas por se tratarem de produtos inovadores onde você precisa lidar com uma quantidade ENORME de informações e usuários, eles realmente precisam de pessoas de altíssimo calibre técnico que saibam como estruturar e usar essas informações (isto é, ser fluente em Estruturas de Dados e Algoritmos). Mas assim, não espere ter um quartinho isolado onde você poderá ficar programando em C puro ou assembler do jeito que você quiser. Vai ter que seguir muitas regras de codificação e etc (e eu concordo com isso. Não raramente você tem que ler códigos complicados que nunca viu na vida. Se não existisse padronização, a coisa ficaria bem mais lenta).

Mas se o processo de produção de software aí não é tão diferente assim, por que vale tanto a pena trabalhar lá? Vocês podem perguntar.

Bom, como eu já disse, apesar do processo ser relativamente padrão, os produtos e problemas enfrentados são inovadores. Você tem que lidar com centenas de milhões de usários que utilizam petabytes de informações, me mesmo assim tentar fazer a coisa toda funcionar rapidamente. Isso é um grande desafio que você não encontra muito em outras grandes companias. As pessoas à sua volta são extramamente qualificadas e criativas (quando isso se faz necessário). Além disso, muitas são famosas (pra computeiros). Já vi muito autor de livro que usei na faculdade trabalhando aqui, sem contar gente que inventou linguagens de programação bem famosas. Você tem à sua disposição uma infra-estrutura enorme de capacidade de processamento e coisas já prontas para não precisar ficar reinventando a roda.

Também vale a pena falar que o ambiente de trabalho é sensacional, como vocês já devem ter visto em centenas de reportagens que já fizeram por aqui. E eles pagam muito bem também, inclusive pra estagiário 🙂

Na qualidade de estagiário, uma coisa interessante que aconteceu aqui é que eu basicamente não mexi com nada do que eu já sabia quando cheguei (bom, eu precisei ligar o computador as vezes 🙂 ). Tive que basicamente aprender tudo o que era necessário pra começar meu projeto, e adorei isso. Tivesse eu chegado aqui e simplesmente feito códigos e mais códigos em C++, eu não teria aprendido nada. Mas acabei aprendendo muita coisa. Antes de vir pra cá eu só tinha trabalhado em empresas pequenas ou pequenos projetos na universidade, na maioria das vezes trabalhando num projeto sozinho. Chegando aqui tive que aprender todo o processo, problemas e boas práticas de se trabalhar em equipe em uma grande empresa.

Precisei também aprender JavaScript (aprender bem), que eu não tinha curiosidade em aprender porque achava que tinha a ver com Java, mas felizmente não tem absolutamente NADA a ver, e é extramemente útil nos dias de hoje. Também fui exposto ao processo de teste de software, que pra quem não entende o que é parece algo imbecil, mas que de fato é mais complicado do que você pensa e de extrema importâcia se você quer fazer algo grande e que preste. Mas talvez o melhor de se estagiar aqui é que você é exposto a algumas tecnologias extremamente novas, e tem a ótima oportunidade de se destacar no futuro por saber tais coisas agora, que no futuro terão importância muito maior.

Sem contar que o inglês também deu uma melhorada considerável. Estou na fase de não precisar mais ficar pensando na frase antes de falar, apenas falo :).

Aliás, com relação a isso, aqui é que você vê como o ensino de inglês no Brasil é ridículo. Existem pessoas do mundo inteiro aqui, e mesmo as que chegam sem ter estudado universidade aqui, têm o inglês relativamente bom, pois aprenderam na escola normal (ginásio, colégio, etc) de maneira extremamente eficiente, inclusive a conversação. Já os brasileiros invariavelmente sofrem pra conseguir um certo nível de fluência, mesmo os que fizeram curso por fora. E eu percebi isso desde que fui pra Pensilvânia no ano passado. Mas como eu já disse, eu levei isso pelo lado positivo. Se mesmo tendo um inglês que não é 100% fluente, o meu supervisor (que foi meu entrevistador) me escolheu entre mais de 50 pessoas pra trabalhar no projeto dele, é porque algo de bom ele deve ter notado na entrevista 🙂

Mais pra frente, vou fazer entrevistas pra tentar uma vaga de efetivo. Porém, não vou tentar aqui, mas sim em Belo Horizonte. Alguns dos motivos que eu consigo citar são:

– Meu visto (J1) possui uma restrição de que eu não posso trabalhar nos EUA por dois anos depois que meu estágio terminar. Tem como fazer gambiarra em cima disso, mas eu não acho que valha a pena passar dor de cabeça por isso agora.

– Mountain View é uma cidade bonita, calma, onde as pessoas são certinhas. Mas o problema é que a cidade é calma demais (não tem nada aqui… só o Google. Essa cidade deveria se chamar Googletown) e as pessoas são certinhas demais :). Se fosse pra ficar nos EUA, eu iria preferir muito mais trabalhar no escritório de NY (já estive lá, visitando). Eles não têm um campus enorme como aqui em Mountain View, mas achei bem aconchegante e dentro de uma cidade que lembra um pouco o bom e belo caos de São Paulo. Mountain View é legal pra quem vai passar estágio de alguns meses e quer ficar perto do campus pra não depender dos onibus pra vir pra cá, mas eu não moraria aqui não, por maior que seja a qualidade de vida do lugar. Aliás, a maioria dos empregados moram em cidades adjacentes, mas mesmo essas ainda não me apeteceram muito.

– Eu não sou descolado (e tenho um orgulho tremendo disso). Eu gosto (e muito) da minha família. Se eu puder ter um nível de vida bom sem precisar morar tão longe deles, vou fazê-lo. Belo Horizonte são 7 horas de ônibus de São Paulo (devem ser 6 ou menos de carro).

– Eu QUERO fazer um mestrado. Talvez não imediatamente depois da graduação, mas quero. E eu realmente não tava afim de pagar US$ 60 mil por ano pra poder fazer isso. Ouvi falar muito bem da pós da UFMG na área que eu quero. Então não seria nada mal fazer lá.

– Meu inglês melhorou bastante, melhoraria ainda mais se eu continuasse aqui. Mas acredito que nunca ficarei 100% confortável falando nesse idioma, assim como eu noto que a maioria dos estrangeiros que estão aqui há anos também não ficam 100% confortáveis. Trabalhar no Google de qualquer lugar no mundo exige que você se comunique o tempo todo em inglês, inclusive em BH, mas eu acho que me sentiria muito mais confortável podendo falar português pelo menos quando fosse almoçar com os colegas, ou quando precisar falar com o dono do apto que você aluga e ele não falar uma mistura bisonha de chinês e inglês com você.

– Aqui em Mountain View, ganha-se muito bem (mais do que em BH, falando em termos absolutos). Mas gasta-se muito bem também, principalmente com aluguel de casa e apartamento (comprar casa? Hahaha… só se você for MUITO rico ou trabalhar especificamente com investimento em imóveis). Eu tenho impressão que o poder de consumo do salário pago no Brasil acaba sendo um pouco maior, pois coisas essenciais (como comida, imóveis, serviços médicos, serviços bancários, etc) são bem mais baratos aí. Aqui vale a pena se você gasta 80% do seu salário com eletrônicos e roupas de marca. Mas esse definitivamente não é meu caso 🙂

– Recessão. Existe um risco de dar recessão aqui. Eu não acredito que isso não afetaria o Brasil, mas acho que afetaria em escala menor do que aqui (afinal, não temos tanto dinheiro assim pra perder como eles têm, haha). E se é pra dar merda no mundo todo, que pelo menos esteja por perto da família.

– A Rússia é perto daqui. Se rolar guerra, fudeu 😛

Apesar de tudo isso, não excluo a possibilidade de num futuro tentar transferência pros EUA (ou Europa. Sempre tive vontade de morar na Irlanda por um tempo, e tem Google lá também), talvez quando estiver com as coisas mais estabilizadas, com um mestrado e etc (e depende da patroa também, claro).

Isso tudo, é claro, depende de eu conseguir ou não a tal vaga de efetivo. Eu não sei como vai acabar saindo meu projeto de estágio aqui, e isso eles vão levar em conta. Mas se não conseguir, também não é o caso pra ficar decepcionado nem coisa do tipo. Uma coisa boa (eu achei boa) de vir estagiar aqui é que meio que “perde a magia”. Não que eu não ache mais que é um ótimo lugar pra trabalhar. É sim, o melhor lugar que eu consigo visualizar nesse momento, mas não é o objetivo da minha vida. Não vou criar um website chamado http://www.euquerotrabalharnogoogle.com pra implorar por isso (esse site existe!). Se não der, eu gostaria muito de voltar a trabalhar com jogos, por exemplo. Ou até botar em prática alguns projetos de start-up que eu tenho.  Acho que depois do estágio, as opções se abriram devido à quantidade de coisas que aprendi por aqui.

É isso. Estou voltando em breve. Preparem o carvão 🙂

Publicado por: Felipe Sodré | agosto 19, 2008

Dancinha e Google

Há alguns meses atrás, entrei num site de um cara que trabalhava programando jogos e que resolveu um dia pegar toda sua grana e torrar viajando pelo mundo. Numa dessas vezes, ele se filmou dançando uma dancinha desengonçada, e resolveu repetir essa dancinha em todo lugar que ele visitava. Teve então a brilhante idéia de colocar essas dancinhas num site, que hoje é um grande sucesso na comunidade não-tenho-o-que-fazer da internet (não estou falando de comunidade do Orkut). O video abaixo mostra um vídeo com apenas alguns dos lugares em que ele já dançou, incluside São Paulo e Rio de Janeiro.

O site é http://www.wherethehellismatt.com (traduzindo: http://www.ondediabosestaomatt.com). Pode-se ver no vídeo acima que em alguns lugares que ele junta uma multidão pra dançar com ele. E não são contratados não, o cara realmente tá famoso no mundo todo. Inclusive ele agora continua viajando porque as pessoas fazem vaquinha e pagam pra ele ir dançar lá. Acho mais interessante o fato dele não ficar só em lugares clichês, pelo vídeo dá pra ver que ele gosta de lugares bastante exóticos. Na página da wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/Matt_Harding) tem uma lista das cidades onde ele já dançou.

Ao contrário do que muita gente diz, ele não é rico (se bem que deve estar começando a ficar com esse sucesso). Ele foi até meio pobre quando pequeno, ele realmente trabalhou bastante pra juntar dinheiro antes de começar a fazer isso.

Hum… esse negócio de garoto ferrado de grana começar a trabalhar programando jogos e pirar de vez… já ouvi isso em algum lugar…  🙂

Bem, por que estou falando dele agora? O fato é que ele anda dando umas palestras pelo mundo afora, e hoje veio aqui no Google. Claro que eu estava lá, e o auditório ficou bem cheio. Basicamente contou sobre os lugares que ele foi, respondeu muitas perguntas e mostrou um vídeo bem bacana que ainda não está no site. Depois, claro, foi todo mundo lá pra frente dançar com ele, como no vídeo do site 🙂

Matt Harding e eu, na dancinha

Matt Harding e eu, na dancinha

Acredito que o vídeo da palestra e da dancinha com todo mundo deve sair no youtube em breve.

Aproveitando que eu estava com a câmera, resolvi tirar umas fotos pelo Google. Tirei algumas do prédio principal, do meu prédio e também dos prédios da rua Crittenden, que é pra onde meu time vai mudar a partir do mês que vem, acho. Por um lado é ruim, porque fica muito mais longe da minha casa, mas por outro lado a cantina de lá é beeeeeeeeeeeeeeeem melhor 🙂

Fotos do Matt e do Google podem ser vistos clicando aqui.

Por hoje é só, pessoal!

Por hoje é só, pessoal!

Publicado por: Felipe Sodré | agosto 18, 2008

Um mês, trilhões de coisas

Já faz quase um mês desde meu útlimo post. Algumas fatores causaram esse atraso. Entre eles, posso citar que estava esperando chegar minha câmera nova, assim eu podia colocar mais algumas fotos aqui. Ainda não tirei fotos so Google, pois no dia que levei a câmera pra isso, acabou a bateria (burro!). Outra coisa é que na, na verdade, não aconteceram lá tantas coisas fora do trabalho (e, como vocês sabem, não posso ficar falando muito do trabalho aqui). Sim, o título diz “trilhões de coisas”, mas aqui na empresa é assim, pura mania de grandeza.

Futebol

Nessas últimas semanas andei me aventurando um pouco a jogar futebol com o pessoal aqui. O bacana é que eles são tão ruins ou piores que eu. Eu consigo até driblar e receber falta! Vejam só o nível… O primeiro jogo foi dos estagiários do Google contra os estagiários da Apple. Eu fiquei de goleiro, pois estava com o joelho zoado. Logo no primeiro lance, fiz uma bela ponte, e ganhei de presente um belo machucado no cotovelo. O restante do jogo foi mais ou menos 3 a 1 pra Apple, com direito a um frigorífico de frangos.
Depois joguei algumas partidas de brincadeira no google mesmo, com pessoas aleatórias… por último, na semana passada, fizemos um jogo contra a Microsoft… jogamos bem por um tempo, estávamos ganhando de 5 a 4 quando duas pessoas do time tiveram que ir embora, e eles viraram pra 8 a 5. No entanto, jogamos Laser Tag (tipo paintball, mas muito mais macho, com raios-laser!!) e destroçamos ele (ao ponto de na última bateria combinarmos de não tentar ganhar. Isso vem do motte do Google: “Don’t be evil” (Não seja mau)).

Cruzeiro em São Francisco

A grande maioria dos estagiários terminou de trabalhar essa semana, porque aqui as datas das aulas são erradas (as nossas (brasileiros) são certas). O Google então organizou uma festa num cruzeiro na Baía de São Francisco. Bem legal, muita comida, bebida (eu, é claro, fiquei nos refris) e dança. Como eu não sou nada bom de dança, fiquei a maior parte do tempo do lado de fora, e acabei conhecendo bastante gente do mundo todo (que também não curtiam muito dançar) e conversamos bastante sobre x coisas.

Cruzeiro em São Francisco

Cruzeiro em São Francisco

Essas e outras fotos do evento estão no meu álbum do Flickr.

Comida

Não sei se já disse isso aqui antes, mas se tem uma coisa que eu não consegui gostar nos EUA é a comida. Por algum motivo, eles adoram fazer tudo doce. É normal comer arroz, feijão ou macarrão com um temperinho doce. Quando não é doce é apimentado. E a carne também não escapa. Eu poderia achar que era uma coisa regional, mas também morei na Pensylvannia, que não tem absolutamente nada a ver com a Califórnia, e era a mesma coisa. Confesso que no começo fiquei até um pouco chateado com isso. Dentro do Google a coisa melhora bastante, pela diversidade… mas mesmo assim nada perto do que eu tinha em casa no Brasil.
Me vendo encurralado, resolvi fazer o improvável, o impossível, o inimaginável: Fazer minha própria comida (pelo menos nos fins-de-semana). Fui ao mercado e comprei um bom estoque e carne e macarrão (juntamente com respectivos temperos). Apesar de ja ter feito macarrão algumas vezes, ainda não estava muito craque (sim, eu sei, isso é muito newba). Mas no final, não é que deu certo?

Isso sim é comida!

Isso sim é comida!

Ontem, porém, dei um passo muito mais além. Fiz, pela primeira vez na minha vida, arroz (com assessoria da patroa). E também não deu errado não (mas nao tirei foto).
Cara, agora estou me sentindo um Cavaleiro Jedi.

Essa e mais fotos da minha casa podem ser vistas neste álbum.

Academia

Essa semana comecei a fazer academia. O Google tem uns Fitness-center que eu duvido que vou achar igual quando voltar pro Brasil. Vou ver o que dá pra fazer (afinal já engordei 5 quilos em um mês e meio).

Eu, com uma semana de academia

Eu, com uma semana de academia

Bye bye colleagues

Essa semana foi a última para dois dos estagiários da minha equipe (Patchwork). Scott (Michigan University) e Angelique (MIT) deram adeus no almoço de despedida que tivemos, onde todos ganharam certificados por coisas que conseguiram fazer (inclusive eu, que acabei de começar, mas ganhei um certificado por ter sobrevivido a uma semana meio corrida, quando eu entrei).

Angelique, Misha, Irfam, eu, Marcel, Seth, Phuong, Jay e Scott

Patchworkers. Da esquerda inferior em sentido horário: Angelique, Misha, eu, Irfam, Marcel, Seth, Phuong, Jay e Scott

Esta e mais fotos do evento podem ser vistas neste álbum.

Cabelo

Encheu o saco. Rapei careca.

Bom, é só. Na próxima devo colocar algumas fotos do Google, principalmente do lado de fora do meu prédio, que é bem diferente do que costumam colocar na mídia (que é só do prédio principal).

Sayonara.

Publicado por: Felipe Sodré | julho 21, 2008

Viagem a São Francisco

Neste sábado fomos eu, Felipe e o Raphael Menderico à São Francisco, que é o centro metropolitano mais próximo daqui. Viagem realtivamente simples, de trem dá apenas uma hora até lá. Detalhe que fomos em dia de jogo de baseball, que é um dos esportes preferidos daqui (só perder pra futebol americano, acho), logicamente, o trem foi lotado. Mas ao invés de um monte de maloqueiros fazendo zona, estava lotado de famílias inteiras com seus bebês, indo ver um jogo pacificamente, notada diferença.

Aliás, falando em baseball, eu não entendo como podem achar tanta graça num jogo desses (e sim, eu sei as regras). Depois de assistir alguns jogos, passei a gostar bem mais de futebol, haha! E eles também curtem pra caramba golfe aqui. Golfe é outro jogo extramamente empolgante. Quando eu joguei na Pennsylvania quase desmaiei de emoção.

Bom, chegando lá, estava bem calor. O pessoal que foi comigo começou a tirar sarro da minha cara, pois eu tinha dito pra todos que ia fazer muito frio e fomos agasalhados. A tiração de sarro, porém, durou apenas uns 10 minutos, quando começou uma ventania extremamente gelada, rá!

San Francisco
San Francisco

Nossa primeira parada foi no Pier 39, que é um cais cheio de barcos, que também é um centrinho comercial com lojinhas de bugigangas e restaurantes, me lembrou muito o porto de Valparaíso, no Chile.

Pier 39
Pier 39

Como chegamos lá pela uma hora da tarde, estávamos morrendo de fome. “Por que não comer, antes de tudo?”, pensamos. O que foi uma bela oportunidade para conhecermos um dos estabelecimentos mais famosos do mundo, o Hard Rock Cafe, que é nada mais que um restaurante de comida americana como os outros, mas com vários instrumentos pregados pela parede, e o preço um pouquinho mais salgado que o normal.

Hard Rock Cafe
Hard Rock Cafe
Hard Rock Cafe
Hard Rock Cafe

 Ainda no cais, passeamos por um tempo, principalmente para ver o mar. E vi também uma das principais atrações de San Francisco, que é a Ilha de Alcatraz, que há muito tempo atrás era uma prisão de segurança máxima, onde ia gente da laia de Al “Scarface” Capone. Infelizmente não fiz o tour para ir até a ilha, primeiro porque o Raphael já tinha feito, segundo porque eu ainda to bem quebrado de grana (ainda não recebi nada, ahhhh!). Mas só ver de longe já foi legal, volto lá em outra oportunidade.

Ilha de Alcatraz
Ilha de Alcatraz

 Após isso, não poderíamos deixar de ir na Golden Gate Bridge (Ponte do Portão Dourado). O nome é somente porque ela liga um bairro chamado Golden Gate à um outro condado ao norte de San Francisco. Pra quem não sabe, essa ponte é considerada uma das sete maravilhas do mundo moderno.

Golden Gate Nerd
Golden Gate Nerd

 Mas uma coisa que foi bem engraçada, pra não dizer trágica, foi uma plaquinha que tem no meio da ponte, aconselhando as pessoas a não se jogarem, e que existe a ajuda. As grades ao lado da ponte mostram que o suicídio ali não é tão raro assim.

 

Aconselhamento para Crises - Existe esperança, faça a chamada - As consequências de pular desta ponte podem ser fatais e trágicas
Aconselhamento para Crises – Existe esperança, faça a chamada – As consequências de pular desta ponte podem ser fatais e trágicas

 Bom, ficamos um bom tempo lá e compramos umas lembrancinhas, claro, e depois voltamos para Mountain View. Ao que parece, San Francisco é muito bonita, mas não tem lá taaantos pontos turísticos fortes assim. NADA comparado a Nova York, por exemplo. Mas tem sim seu charme. Outro dia pretendo voltar lá e ver tudo com mais calma. Não cheguei a ver o bairro gay, nem o hippie, mas me disseram que não tem nada pra se ver lá, a não ser que eu esteja afim de entrar em uma boate, ehm… alternativa, o que eu sinceramente não estou.

Essas e outras fotos podem ser vistas no meu álbum do picasa, clicando aqui.

Publicado por: Felipe Sodré | julho 15, 2008

Enfim, uma semana

Hoje completei uma semana como um Googler. Não fiz nada de trabalho ainda, somente alguns cursos e laboratórios. O motivo pra isso é que aqui eles meio que usam as próprias ferramentas e metodologias de desenvolvimento. Por exemplo, eles têm sua própria distribuição Linux, o Goobuntu, o próprio sistema de arquivos, GFS, entre outras coisas. Mas isso era previsível, afinal os caras lidam com problemas de complexidades que nenhuma outra empresa tem (como procurar ocorrencias de palavras num banco de dados de Petabytes em centésimos de segundo), então não faz sentido mesmo que usem ferramentas comuns pra isso.

Mas acho que o que aconteceu de mais bacana foi a enxurrada de informações interessantes. Antes de mais nada, tivemos uma aula sobre como funciona a máquina de busca deles. Não é nada trivial, mas bem interessante. Tudo o que me disseram é confidencial, e ainda por cima muitos detalhes não foram ditos, por se tratar de coisas MUITO confidenciais, que só alguns poucos engenheiros muito bem pagos sabem. Faz sentido, imagina se qualquer estagiário pudesse ver o código de como é feito o page rank das páginas. Em algumas semanas daria pra ficar bem rico usando isso 🙂

Além disso, também fui a uma reunião trimestral que eles fazem para mostrar demonstrações de novos projetos. É impressionante quanta coisa nova está se fazendo aqui dentro. Todas confidenciais, obviamente. Vai ser engraçado ver todo mundo comentando “a grande novidade do Google”, quando eu já sabia disso desde um bom tempo atrás 🙂

Com relação ao trabalho em si, ainda não comecei, como já havia dito. Mas mesmo assim eu tive que ir a todas às reuniões (diárias), e não preciso dizer que boiei em todas, afinal estavam discutindo coisas de implementação que começaram há meses. Mas nessas reuniões fiquei impressionado com a infra-estrutura de tudo. Basicamente, muitas reuniões tem participantes de outros escritórios pelo mundo, então elas acontecem em salas especiais de video-conferência. Isso sim foi algo bem diferente de se trabalhar em uma empresa de ponta, provavelmente vou sentir muita falta disso.

Alguns fatos interessantes da semana:

Livro

Mesmo tendo que ler uma pancada de coisa no Google, comecei a ler, em casa, um dos livros que eu ganhei, Effective C++:

Effective C++

Effective C++

Ele não é apenas mais um livro de C++. Na verdade, ele assume que você já sabe bastante C++. Ele não tem capítulos como “O que é uma função?”, mas sim uma série de boas práticas muito bem explicadas para tornar o código muito mais robusto, legível e eficiente. Particularmente bom pra mim, pois aprendi C++ meio que lendo código dos outros e debugando os meus próprios, além de listas de discussão. Meus programas, via de regra, funcionam. Mas, sendo eu um cara que veio de C puro e aprendeu C++ pra competições, considero meu estilo em C++ como “moleque”. Com esse livro, e também trabalhando com isso em projetos enormes no Google, pretendo vestir uma roupa preta nele 🙂

Ele em 9 capítulos, sendo cada capitúlo tendo em média 30 páginas. Vou *tentar* ler um capítulo por dia. Veremos.

Suquinho de Laranja

Não sei se eu já falei, mas se já falei vale a pena repetir, tem suquinho de laranja natural na faixa no Google. Vem até com bagaço e tudo. Um litro e meio por dia, no mínimo, é o quanto eu colaboro com a empresa que vende isso pro Google 🙂

Bicicleta

Agora tenho uma bicicleta! O Menderico está indo embora essa semana, então entregou a bicicleta dele para mim. Agora o tempo que eu levo de casa até o trabalho caiu de 20 para 5 minutos \o/

Seguro

Por falar em bicicleta, eu tinha esquecido meu cartão do seguro-saúde no Brasil. Mas, ao contrário do Brasil, as coisas aqui funcionam, e eu recebi outra cópia há alguns dias atrás. Sensacional.

San Jose

No domingo fomos para uma cidade aqui do lado, San Jose. Não tinha nada demais, era só mais uma cidadezinha no vale do silício, com um monte de palmeiras e outras árvores, com vista para um belo conjunto de montanhas arenosas. Talvez o mais interessante tenha sido o passeio de trem, um verdadeiro tour pelo, de fato, Vale do Silício. Que eu me lembre, passamos pela NASA, Motorola, Cisco, Yahoo!, Ebay, Samsung, entre outras.

Game Night

No sábado a noite, fomos eu, Felipe (Albrecht, que mora comigo), Menderico e Helder para o prédio principal do Google passar o tempo. Jogamos Diplomacy, xadrez, sinuca e Nintendo Wii, até umas 2 da manhã. E eu acho que isso só prova que essa história de que no Google só tem nerd é balela.

Joelho

Estou sentindo uma ligeira dor no joelho desde alguns dias atrás, de tanto ter andado desde que eu cheguei. Aos poucos está melhorando, só incomoda de verdade quando eu tenho que descer escadas. Espero que de fato seja só veadagem, porque eu realmente esperava poder fazer academia aqui.

Comunismo/Socialismo

Eu andei refletindo, e cheguei à conclusão, mais uma vez, de que o comunismo e o socialismo são uma merda. (ou seriam, caso fossem postos em prática. O que não acontece pelo fato de serem uma merda desde suas concepções teóricas).

Fim do Post

Eu terminei este post.

Publicado por: Felipe Sodré | julho 9, 2008

Primeiro dia no Google

Hoje finalmente foi o grande dia. Finalmente me tornei um Googler (Na verdade, um Noogler, que é tipo “bixo”, pois ainda nao sabemos fazer porra nenhuma, haha). Basicamente foi dia de conhecer o campus e preencher a papelada, nada demais. Depois de algumas palestras sobre o trabalho dentro do Google, fui conhecer meu “cubículo” com meu mentor. Aliás, uma coisa interessante foi que eu fui o único intern (estagiário) que foi pra orientação de bermuda (que aliás é novinha, e bem bacana), e por um momento pensei se tinha dado alguma mancada ou algo assim. Mas isso foi só até conhecer meu mentor, que foi me buscar com uma bermuda muito mais surrada que a minha, e chinelo. E antes já tinham me dito que usar Havaianas é coisa chique aqui, então esse verão promete sessões de trabalhos beeeeem confortáveis, haha!

O campus principal é sensacional. De fato parece um clubinho. Andando por lá você vê academia, quadra de vôlei de areia, mesinhas com guarda-sol, fontes de água, quiosques “vendendo” suquinho, pessoas andando de bicicleta e etc. Pra entender que ali se trabalha só entrando nas salas dos escritórios (e mesmo assim, são escritórios beeeem alternativos).

O almoço de fato foi muito bom, e sim, eles têm Fanta! Um Oásis no meio do deserto! Ah, não só isso, como também tem suco de laranja natural! Sim, do espremido. Se você já veio pros EUA sabe que isso é impossível de se achar, e quando se acha, pelas leis de mercado, você tem que esvaziar a carteira pra conseguir. O sorvetinho tambem, é bem caro, e eu comi de graça, hehe.

Outra coisa que me deixou muito contente é que eu vim pros EUA com uma listinha meio pronta de uns 5 livros (certamente esse numero vai aumentar) que eu queria comprar aqui, e o Google dá para os interns alguns livros, e dentre os que eu ganhei, 3 estavam na minha listinha (e os outros eu nem conhecia, mas parecem ser bem legais). Contabilizando o preço dos livros que eu ganhei, dá uns 250 dólares fácil.

Uma coisa que todo mundo sempre comenta quando trabalha no Google é o fato de vira e mexe estar trombando com pessoas famosas (no mundo da tecnologia) o tempo todo. Bom, senti isso na pele em grande estilo na janta. Fui jantar com os brasileiros (Menderico, da Unicamp, Helder e Diego do ITA), e na mesa da frente estavam John Dethridge e Derek Kisman (mais conhecido como SnapDragon), que são duas lendas vivas nas competições de programação, e atrás dele estava jantando o Ken Thompson, que é simplesmente um dos criadores do UNIX, e também criador da linguagem B (que deu origem à linguagem C, e assim por diante). E eu não sei se contei aqui, mas na quinta-feira, no meu primeiro dia em Mountain View, quando eu estava indo visitar o Menderico no Google, passou do meu lado um Googler andando de bicicleta, que acabou sendo o primeiro Googler que eu vi. Quem era? Sergey Brin, simplesmente o cara que criou o Google. Acho que foi um bom começo 🙂

Bom, o meu prédio não fica no campus central, pra falar a verdade fica até um pouquinho longe, mas nada que 5 minutos de bicicleta não resolvam. Na verdade, andar de bicicleta aqui é outra coisa bastante peculiar. Em qualquer prédio do Google que você entra, existem várias bicicletas azuis espalhadas. Você pode simplesmente pegar qualquer uma delas, ir para onde precisa e largar ela lá. E para quem quer sedentarismo ao extremo, eles tambem tem scooters, que sao tipo patinetes motorizados.

Enfim, o prédio onde eu trabalho não tem o clima de clube do campus central, mas não deixa de ser bem bacana. O lado de fora adota mais um estilo de jardim francês, com fontes de água, pontezinhas, um riacho e tudo mais. A parte de dentro é basicamente identica à dos outros prédios.

Ao chegar na minha mesa pela primeira vez, algumas mensagens de recepção, balões de hélio e uns presentinhos. O Marcel (meu mentor) me apresentou pro pessoal da sala e todos parecem bem bacanas. Além da máquina onde eu trabalho (um dia nao foi suficiente pra me acostumar a olhar pra DOIS monitores de 23 polegadas ao mesmo tempo), o meu mentor achou que seria conveniente eu ter também um laptop pra trabalhar, e pediu pra escolher um. Eu meio que tive que… sei lá… pegar um MacBook PRO 🙂  Mas infelizmente isso fica com eles quando eu terminar o internship. Mas vai ser bom enquanto durar 🙂

Ao que parece essa semana eu vou só assistir umas aulas, e no restante do dia ficar lendo documentações de coisas diversas, incluindo meu projeto. O paradigma de desenvolvimento aqui aparentemente é bem diferente do resto dos lugares, então a galera fica bombando por um tempo nessas metodologias.

Bom, é isso. Amanhã vão me explicar todos os segredos sobre tudo, e eu não vou falar pra vocês, mwahahahaha !

Publicado por: Felipe Sodré | julho 6, 2008

Enfim, Mountain View

Enfim, cheguei a Mountain View. Cheguei no dia 3/7, quinta-feira. O avião pousou no aeroporto de São Francisco lá pelas 13 horas, e de lá eu só precisei pegar dois trens e um ônibus para conseguir chegar aqui lá pelas 15 horas (na verdade o que demorou mais foi esperar os trens e o ônibus, mas foi relativamente tranqüilo. Chegando no apartamento, ele estava vazio, pois o pessoal ainda estava trabalhando. Depois de tomar um banho, fui até o posto de gasolina e pelo telefone público avisei todos que estava aqui, e estava bem e bla bla bla. Só me restava esperar dar umas 5 horas e ir ao Google jantar. Chegando lá, tive uma surpresa não muito boa, pois como no dia seguinte era feriado (4 de Julho), não haveria janta naquele dia. Então fomos (eu, Menderico e Helder) para a Rua Castro, que é a ruazinha mais badalada aqui. Havia muitos preparativos para a festa do dia seguinte, o pessoal parecia bem animado. Entramos num restaurante e eu comi o maior hamburguer da minha vida, com as maiores batatas fritas da minha vida. Depois vim para casa, onde finalmente conheci o outro Felipe e o Kevin, que se mostraram ser bem gente fina. Depois de alguns momentos, deitei na cama e tirei o maior cochilo da minha vida, hehehe No dia seguinte, 4 de Julho, acordei pela hora do almoço e fui direto comer no McDonalds (tem um a 5 minutos a pé aqui de casa), e de lá emendei para a casa do Menderico para irmos fazer algo. Depois de muito discutir, resolvemos dar uma volta numa cidadezinha aqui perto (durante minha estadia aqui no Vale do Silício, quando eu falar cidadezinha, imaginem algo um pouco menor que um bairro de São Paulo), chamada Palo Alto (que eu apelidei de Pau Grande). Na verdade não tinha muita coisa pra se ver lá. Apenas uma ruazinha cheia de restaurantes, onde comemos, e a loja da Apple. Ali perto também fica a Universidade de Stanford, mas já estava meio tarde e voltamos pra casa deles. Lá ficamos jogando jogos de tabuleiros aleatórios até altas horas. No dia seguinte (hoje, sábado), finalmente comprei meu celular (por 10 dólares!). Já estava ficando bem difícil me comunicar sem ele por aqui, pois a coisa mais difícil nessa cidade é conseguir achar um telefone público (apesar de ter um bem perto de casa). Não obstante, também fomos até Palo Alto denovo, dessa vez pra comprar meu computador. Resolvi tentar um MacBook, comprei o modelo pretinho básico (que de básico não tem nada, hehe). Estou usando ele e realmente parece ser tão bom quanto eu pensava. Vamos ver se continua assim, porque o bicho foi caro (principalmente considerando que eu ainda não recebi dinheiro nenhum do Google). Agora, sobre a cidade, não tem muito o que falar. É MUITO legal. Imagina aquelas cidades californianas calminhas, com palmeiras e outras árvores espalhadas pela cidade, e montanhas de terra vermelha ao fundo, com um baita calor e carrões andando tranqüilamente por aí. Mountain View é isso. Pena que ainda não tenho câmera, mas quando tiver vou começar a colocar algumas fotos aqui. Apesar do calor durante o dia (e aqui fica bem claro até tipo umas 8 horas da “noite”, começando a escurecer lá pelas 9), de noite sopra um vento relativamente frio, então geralmente é boa idéia sair de manhã com roupa de calor, mas carregando uma blusa na mochila. A única coisa com a qual eu estou realmente decepcionado com Mountain View é que eu já fui em três restaurantes por aqui e NENHUM tinha Fanta (ou qualquer outro refrigerante de laranja). Um absurdo, absurdo. Espero que no Google não seja tão pala assim (se bem que lá parece que eles têm suco de laranja NATURAL, o que é algo meio inédito nesse país). Bom, em suma, Vim, vi e gostei. Agora é só esperar pra virar de fato um Googler na próxima terça-feira, dia 8.

Publicado por: Felipe Sodré | julho 2, 2008

Tchau !

É isso. Estou a duas horas de sair de casa, a cinco de partir para a Califórnia.

As notas das matérias que eu mais estava preocupado saíram, nenhum susto, então vou mais tranquilo. Além disso, no domingo, teve a seletiva para equipes de Maratona de Programação da Unicamp. Acabei novamente pegando quinto lugar e fiquei no segundo time, mas é um baita segundo time. Além de mim, vão estar o Davi Costa, que logo no primeiro ano mandou bem na primeira fase ano passado e parece estar bem dedicado nos treinos, e o André Linhares, que já foi pra N competições internacionais de matemática, M Olimpíadas de Informática e ano passado foi pro mundial do ICPC. No primeiro time ficaram Marcelo Galvão, Alexandre Kunieda e Igor de Assis. Esse último é velho de guerra, e os outros dois são do primeiro ano! Agora é moda na Unicamp gente do primeiro ano ganhar a seletiva (ano passado foi assim também, com o André Linhares), e esse ano não só o primeiro (Marcelo) como o segundo (Alexandre) são bixos. O terceiro time também não tem nada de ruim. O Paulo Costa já foi pra IOI e ano passado foi junto com o Linhares para o ICPC. O Thiago Resek não tem muita experiência de maratona, mas parece ter muito potencial. Já o Lucas eu não conheço. Enfim, acho que esse ano vai rolar um bom pega-pra-capar entre os times da Unicamp durante a maratona. Vai valer a pena eu ter pago mil dólares pra vir participar em Setembro (também por rever família e namorada, claro, hehe).

A seletiva, então, foi meu último compromisso acadêmico aqui. Devo voltar dia 17 ou 18 de setembro para participar no dia 20 da primeira fase, em Campinas, e é claro que vou aproveitar pra matar um pouco da saudade. Devo voltar pra Mountain View no dia 23 de Setembro.

E hoje basicamente foi dia de ficar com a patroa, uma despedida triste mas ainda sim cheia de otimismo, e arrumar as malas. No próximo post devo começar a dar as primeiras impressões de Mountain View, mas já adianto que o Menderico (amigo meu que faz doutorado na Unicamp e está terminando o estágio lá no Google) já me convidou pra jantar e finalmente conhecer a famosa comida do Googleplex! Na verdade eu já comi no Google de New York, mas dizem que a de Mountain View é melhor. Nessa disputa, quem vai sair ganhando sou eu, ho ho ho.

Beijos pra Marcela e Família,

Banana para todo o resto.

Fui !

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